domingo, 20 de novembro de 2011

Arnaldo Jabor


Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como:"Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.
Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

Antes idiota que infeliz! Arnaldo Jabor

Acho que não preciso completar com nada ... Jabor já diz tudo ..

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Leve ..


Sabe, a muito me convenci de algo que até um dado momento era um fato verdadeiro e incontestável. E não tinha santo que me fizesse pensar diferente. Até que um dia quebraram as minhas certezas e viraram minha vida de cabeça pra baixo.. Me mostraram que o que eu acreditava era coisa da minha cabeça , e que a realidade era bem diferente.  Me provaram o quanto eu crio verdades pra mim com o objetivo de me poupar sofrimento. O tanto que me convenço das coisas e torno aquilo verdade absoluta.
Não, nem sempre o que eu acho, o que eu quero que seja verdade, é, de fato, a realidade. As vezes as pessoas podem sim, ver as coisas diferentes, e acreditam que o que fazem é benéfico a todos. Mas não, nem sempre as cosias são assim. Dói mais pra uns que pra outros. Incomoda mais uns que outros. E temos que ter percepção para o que é melhor pra nós, e o que, de fato, é melhor pro outro. Hoje posso dizer que, embora não sempre enxergue o que é bom pros outros, sei ver o que me faz bem. O que realmente faz sentido. O que é certo. Aprendi a não contestar obras de Deus.  Ele nunca te tira nada se não for pôr algo melhor em seu caminho. E que talvez nem melhor seja, mas que te faça mais bem. Mais feliz. E, no dia que você souber ver essa graça, saberá reconhecer que, realmente, Ele não escreve nada errado. Pode não ser da forma que você quer. Mas com certeza será da forma que te fará bem. Que te trará mais felicidade. E você aprenderá a agradecer.
E hoje, eu aprendi a agradecer. Com certeza não foi nem é da forma que eu queria, mas com certeza é da forma que me faz feliz. Não que o passado não tenha feito. Mas o agora também faz. Cada época com sua forma de felicidade diferente, mas faz. Hoje eu agradeço a Deus por cada passo meu, guiado por Ele. E cada caminho daqui pra frente. Hoje me sinto leve ...
Leve ...

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Sou eu


Tente me convencer de que não devo pular no rio. Tente me convencer de que não devo morrer de frio. Tente me convencer de que não devo fazer o que quero. Tente me convencer de que não devo gostar de quem gosto. Ou apenas, tente me convencer.
Sou alguém extremamente teimosa. Difícil de se deixar levar. Não mudo de opinião facilmente. Porem isso não quer dizer que eu não seja um pouco altruísta. Sim. Cedo pra quem merece, faço esforço pra quem retribui. Sou geniosa e tenho minhas verdades. Não tente contrapô-las. Ou, se for fazê-lo, tenha argumentos pra falar e paciência pra ouvir.
Acredito no que digo. Posso estar errada, e assumirei meu erro. Mas terá que me provar que o que penso não é correto.
Ultimamente pessoas têm me dito mais o que fazer, do que eu gostaria. Eu vou fazer o que quiser, e o que julgar correto. O que achar que é melhor pra mim. Se conseguir me mostrar que estou errada, ok, mudarei de opinião. Mas até lá, farei o que julgo melhor pra mim, pra minha vida, pro meu futuro. E não é você, nem ninguém, que me impedirá.
Porque quem sabe da minha vida, sou eu.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Isenção


Saudade ...
Saudade de nadar naquela lagoa com isopor, e encher a superfície de bolinhas. Saudade de brincar no munho até os pulmões encherem de poeira, e ter que ser levada pro hospital com sinusite. Saudade da bisa brigando porque era tarde e eu estava descalça. Saudade do cheiro de broa assando. Saudade de ficar observando o pão com leite o dia todo, só pra ver os micos comendo. Saudade do medo de cavalos. Saudade do cheiro do vô. Do barulho dos chinelos arrastando de manha. Da ida ao centro da cidade. Dos natais, da casa cheia, das risadas. Saudade da correria do pega-pega.  Dos tios brigando porque "a bola irá quebrar o vidro". Saudade das pescarias, acampamentos e aventuras com o pai. Saudade das conversas e brincadeiras com a mãe. Saudade de idas à clausura. Saudade do "buraco negro". Saudade da quarta série. Saudade do sítio da tia, e do pão de queijo do tio. Do "cheirinho de cheetos". Saudade da oitava série. Da pepiiiiita. Das brincadeiras que só nós entendemos. Do quarteto. Saudade do primeiro ano. Dos nematelmintos e seus melôs. Do “******* beem grande”. Do ventilador. Das vaquinhas. Saudade das noites frias em Mariana. Do Festival de Inverno. Saudade do terceiro ano. De cada momento, cada risada, cada composição musical, cada brincadeira. Saudade do JISA. Saudade das férias, da praia, do cheiro de maresia. Saudade de tanta coisa ....

Saudade. Sentimento normal que ninguém está isento de sentir....



Nin-guém.



.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Voar


Eu hoje tenho consciência de tudo o que faço, e que tudo o que faço é pro bem dos outros, e não pelo meu próprio. Se fosse por escolha, tudo seria bem diferente. As pessoas a minha volta com certeza seriam outras, seriam quem me faz bem. Teria quem amo perto, e não simplesmente quem me conforta. Se tudo fosse resumido em escolhas ...
Por isso, por atender de mais aos outros e de menos à mim, eu deixo tudo o que não quer ficar próximo, ir. Se isso lhes resume a felicidade, é o que terão. Não irei insistir em fatos que talvez não nos levem a nada. Nem obrigar a fazer aquilo que não querem.
Eu voei muito tempo sozinha. Com meus próprios pensamentos, minhas próprias manias, e sem rumo algum. Até que entraram alguns nesse voo comigo. Uns pousaram, outros permaneceram. E eu acostumei à presença destes. Mas nunca fomos tão ligados a ponto de impedirmos uns aos outros de alçarem voos mais altos.
Hoje, é exatamente o que ocorre, querem uns, voos mais altos, outros, mais segurança. E como sempre foi costume, não iremos nos amarrar a ponto de impedirmos a felicidade uns dos outros. Voaremos juntos, talvez. Mas não amarrados.
Voltemos então a alçar voos sozinhos. Com nossos pensamentos e objetivos. Quem sabe um dia nosso grupo volte a se encontrar, e talvez consigamos voar juntos novamente.
Não pense que quero, ou gosto de estar sozinha novamente. E nem que esqueci de todos os nossos voos. Não. Mas sinto que é o caminho que devem, e querem seguir. E não impedirei. Mas saibam que sempre estarei voando perto. E quando precisarem de mim, estarei aqui, por vocês. Mas não te amarrarei a mim. Não....

"Se quiserem que o amor entre vocês perdure, voem juntos, mas jamais amarrados."
Shinyashiki

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

...

" Quando algo de que goste acabar, lembre-se de que as folhas do outono não caem porque querem, mas porque é chegada a hora." 

terça-feira, 2 de agosto de 2011

A chamada calma

Ao que parece, meu inferno astral veio e foi embora fora do tempo. Durou muito mais do que devia, e me atormentou muito mais do que o esperado. Agora, todo o estresse e nervosismo já vieram e já se foram. Hoje a calma reina, embora não o tempo todo.
Ou talvez ele ainda esteja aqui, e o que passou seja apenas reflexo dos últimos acontecimentos. É, pode ser. Certas coisas, embora não tão aparente, te desestruturam por dentro de uma forma que nem você mesmo entende. Tudo o que você acredita, todos os seus planos, tudo o que sempre quis são destruídos em momentos, segundos, palavras. O norte que sempre teve em sua vida vira sul, vira leste e oeste ao mesmo tempo. E você se perde.
O que fazer, o que querer, em que(m) arriscar? Não sei. Não sei. Não sei. E é isso que passa pela sua cabeça: duvidas sem respostas. Nada mais parece normal, nada mais parece ter sentido. E você se pergunta: por que?
E de novo: eu não sei !
Mas talvez tantas duvidas geram um vazio que resulta em calma. Como você não sabe de nada, você não se preocupa com isso. A cabeça que antes era cheia, hoje custa a se ocupar. E você deve estar pensando: que péssimo!
Sim, é péssimo. É incômodo. É acostumável.
É, talvez não seja tão ruim assim...


E hoje, a calma me atinge ....