É incrível como nos tornamos estranhos às pessoas. Como as coisas mudam de lugar, de perfil. Aquela pessoa que sempre esteve com você, que seria pra sempre, amanha já não está mais ali. Aquele amor forte que sempre se manteve sabe Deus lá como, já não é igual. E o mais incrível, é que só notamos quando não os temos mais.
É doloroso ver, que as coisas mutam constantemente, e nem sempre para o lado que desejamos. Como, de um dia pro outro, o mundo gira e você se perde.
Se perde daquilo que ama, das pessoas, das suas coisas, de você. E como se achar de novo? Tem alguma fórmula para isso? Não. Você apenas espera que o tempo passe e, com ele, tenta se reconstituir. Sua dor às vezes aumenta, às vezes diminui. É sempre uma gangorra desconexa que não tem sentido. Não tem regularidade.
Os dias passam e você se acostuma às vertigens da gangorra. Acostuma-se à montanha russa que tudo vira, e espera, ansiosamente, pela reviravolta do mundo de novo, para que tudo volte ao normal. Mas será possível? Depois desse tempo, depois de tanto sofrimento, tudo ser como era antes? Ver sua ‘casa’ de cabeça para baixo, não se lembrar mais de onde fica cada coisa, não reconhecer mais seus móveis, sua decoração. Será que, mesmo após arrumar do seu jeito, você se reconhecerá ali?
Não sabemos. Não sabemos nem se vamos arrumar tudo. Se tudo será da mesma forma. Digo eu que nunca será. Nada, absolutamente nada, depois de ser mudado de lugar, volta para o mesmo lugar. Mas ainda assim, nós teimosos seres humanos, tentamos pôr tudo em ordem de novo.
Mas valerá a pena?
Não sei. Só sei que às vezes é preciso tentar certas coisas. É preciso mudar certas coisas. Aquele enfeite velho, hoje pode sair da prateleira. Aquela poeirinha escondida ao lado da estante, hoje pode ser varrida. E é bom limpar a casa às vezes, deixar espaço para novos entulhos chegarem.
Se faz bem, eu não sei. Só sei que é preciso limpar-se. Isso torna a vida nova. Nem sempre melhor, mas nova. E hoje eu posso falar, com toda certeza, a minha casa está mais limpa. Porém, talvez, mais vazia.
Mas outra certeza eu tenho: farei de tudo para enche-la novamente.
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